Naquela época, a única coisa que eu tinha era uma mochila velha, uma filha pequena… e uma promessa caminhando comigo:
“Ela não vai passar pelo que eu passei.”
Eu ia pro mercado todo dia. Mesmo quando ela tava com febre em casa. Mesmo quando eu voltava do hospital depois de mais uma madrugada sem dormir.
Já teve mês que a gente viveu praticamente no hospital. A vida não aliviava. Mas eu também não.
Eu levantava cedo, pegava dois, três ônibus. Chegava no mercado, respirava fundo…
E fazia parecer que tava tudo bem. Porque cliente não quer saber dos nossos problemas. Supervisor não quer ouvir desculpas.
E meta… meta não espera.
Teve dia que eu saí de casa sem saber se ia ter luz em casa quando voltasse. Teve semana que o dinheiro não dava. E teve mês que eu precisei escolher entre o aluguel… ou o remédio da minha filha.
Mesmo assim, lá estava eu. Montando ponto extra. Girando estoque. Entregando resultado.
E no meio de tudo isso… eu sonhava. Sonhava com uma vida melhor. Sonhava em crescer. Sonhava, principalmente, em ser visto.
E demorou. Foram anos de suor. De esforço que ninguém via. De promessas não cumpridas.
Até que um dia… Alguém viu. Me estenderam a mão. Me deram uma oportunidade, não um favor. E eu agarrei como quem segura o último fio de esperança.
Virei supervisor.
Depois coordenador.
Depois gerente.
E hoje… hoje eu estou diretor.
Diretor, sim. Mas sigo sendo… promotor na minha essência.
Porque quem já precisou limpar gôndola chorando por dentro… Nunca mais esquece de onde veio.
E hoje, toda vez que eu cruzo com um promotor no PDV, eu não vejo só alguém arrumando prateleira. Eu vejo um Gigante. Eu vejo alguém que carrega no peito a mesma fome, a mesma luta e a mesma esperança que um dia me trouxe até aqui.
“O PDV não é só um lugar de vendas. É um lugar onde se constroem futuros. Onde quem não desiste… vira Gigante.”
