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Muito além da execução: como o promotor conquista espaço no PDV

Durante muito tempo, falar de execução no PDV era suficiente. Hoje, não é mais.

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No varejo alimentar brasileiro, especialmente em supermercados de médio e grande porte, o ponto de venda se tornou um ambiente altamente competitivo, onde espaço é moeda e relacionamento é o principal ativo.

Mas para jogar esse jogo de forma estratégica, é preciso entender o contexto real onde ele acontece.

O que dizem os dados no varejo alimentar brasileiro

Quando olhamos para supermercados e atacarejos no Brasil, os números ficam mais claros.

Estudos da NielsenIQ e da ABRAS mostram que:

No Brasil, entre 70% e 80% das decisões de compra em categorias de FMCG são tomadas dentro da loja física, com maior intensidade em supermercados regionais e de vizinhança

Em categorias de alto giro como bebidas, lácteos e mercearia básica, a ruptura média gira entre 7% e 11%, podendo ultrapassar 15% em lojas de menor porte e regiões com logística mais desafiadora (Norte e Nordeste)

No canal atacarejo, que cresce acima de dois dígitos nos últimos anos, o shopper é mais sensível a preço e exposição, o que aumenta o impacto da execução visual

Isso muda completamente a responsabilidade do promotor.

Ele não está apenas executando. Ele está atuando diretamente no momento da decisão de compra.

Diferenças por canal: onde o jogo muda

Nem todo PDV é igual. E o promotor que entende isso sai na frente.

Supermercados de rede (grandes centros – Sudeste e Sul)

Maior pressão por padronização e planograma

Mais concorrência por espaço entre indústrias

Decisões mais centralizadas, mas com autonomia local para ajustes

Aqui, relacionamento com gerente e encarregado de setor é decisivo para flexibilizar execução.

Atacarejo (crescimento nacional, forte no Sudeste e Nordeste)

Forte foco em volume e preço

Execução baseada em pallet e grandes volumes

Menor interferência estética, maior foco em disponibilidade

Aqui, quem ajuda a girar produto ganha espaço rapidamente.

Supermercados regionais e de bairro

Relações mais próximas e informais

Decisão altamente influenciada pelo gerente ou dono

Maior abertura para negociações diretas

Aqui, relacionamento pesa mais que qualquer argumento técnico.

Pergunta direta:

Você adapta sua abordagem conforme o tipo de loja… ou trata todos os PDVs da mesma forma?

O papel do relacionamento dentro desse contexto

Agora que o cenário está claro, entra o diferencial.

Segundo dados da McKinsey & Company para América Latina:

  • Iniciativas colaborativas entre indústria e varejo podem aumentar vendas entre 5% e 10% em supermercados tradicionais
  • Em canais menos estruturados, como mercados regionais, esse impacto pode ser ainda maior devido à flexibilidade operacional
  • Ou seja, quanto menos estruturada a loja, maior o peso do relacionamento.
  • Estratégia 1: adaptar o comportamento ao canal
  • O erro mais comum é ter um único padrão de atuação.

Promotores de alta performance ajustam:

  • Linguagem
  • Nível de formalidade
  • Tipo de argumento
  • Forma de negociação
  • No atacarejo, o argumento é giro.

No supermercado de rede, é dado e padrão. No mercado de bairro, é confiança.

  • Estratégia 2: entender a dor local da loja

Cada loja tem um problema dominante:

Ruptura alta?
Estoque parado?
Falta de equipe?
Problemas de organização?

Segundo a Deloitte:

  • Empresas que atuam com foco em resolução de problemas locais têm até 60% mais chance de gerar percepção de valor em operações descentralizadas
  • No PDV, isso significa uma coisa simples: quem resolve problema vira prioridade.
  • Estratégia 3: usar microdados do próprio PDV

Esqueça grandes relatórios. O que funciona no dia a dia são dados simples:

  • Produto que gira mais
  • Produto que fica parado
  • Frequência de ruptura
  • Comparação entre lojas
  • Esses microdados, quando bem utilizados, aumentam drasticamente a força de negociação.
  • Estratégia 4: consistência em ambientes caóticos
  • Principalmente em mercados regionais e atacarejos, o ambiente é menos estruturado.
  • É justamente aí que consistência vira diferencial competitivo.

Dados da PwC mostram que:

  • Em ambientes operacionais menos estruturados, consistência aumenta a percepção de confiabilidade em mais de 70% dos casos analisados
  • No PDV, isso se traduz em algo muito claro: quem mantém padrão, vira referência.
  • O que realmente define quem conquista espaço
  • Não é força. Não é insistência. Não é argumento isolado.
  • É contexto + comportamento + consistência.
  • O promotor que entende o tipo de loja, lê o ambiente e ajusta sua atuação constrói algo que poucos constroem: influência real.
  • Reflexão final
  • O PDV brasileiro é diverso, complexo e cheio de nuances.

Quem tenta aplicar uma única fórmula fica limitado.

Quem aprende a ler o ambiente e construir relacionamento dentro de cada realidade, cresce.

Então fica a pergunta:

Você está executando uma rota… ou está jogando o jogo do PDV com inteligência?

Referências

NielsenIQ Brasil. Retail Measurement Services e estudos de execução no varejo alimentar, 2023–2025. ABRAS. Ranking e indicadores do setor supermercadista brasileiro, 2024. McKinsey & Company. Retail in Latin America: growth and collaboration insights, 2023. Deloitte. Consumer & Retail Operations Studies, 2023. PwC. Global Consumer Insights Survey, 2023.

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